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MST ocupa área da Ceplac em Itabela e cobra retomada de acordo com órgãos federais

Manifestação reúne cerca de 340 pessoas e já dura mais de 24h; pesquisadores alertam para prejuízos em estudos ambientais e agropecuários
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Cerca de 340 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na terça-feira (22), a Estação de Zootecnia do Extremo Sul da Bahia, localizada às margens da BR-101, no município de Itabela. A ação, que já dura mais de 24 horas, continua nesta quarta-feira (23) e tem caráter pacífico, segundo o próprio movimento.


De acordo com nota divulgada pelo MST, o objetivo da ocupação é cobrar a retomada de um acordo firmado entre o movimento e diversos órgãos do governo federal, que previa a destinação de áreas federais abandonadas para fins de reforma agrária. Segundo o MST, essas áreas não cumprem a função social prevista na Constituição e deveriam ser utilizadas para assentamento de famílias trabalhadoras do campo.

O acordo, atualmente paralisado, envolvia a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Esta é a terceira vez que o local é ocupado pelo movimento — as outras ocorreram em 2022 e no início de 2024.

Por outro lado, funcionários da Ceplac relataram prejuízos causados pela ocupação. Segundo eles, os manifestantes cortaram cercas, fizeram ligações irregulares de energia, o que provocou curtos e danificou equipamentos. Além disso, o acesso de servidores à estação está impedido, comprometendo o andamento de importantes pesquisas desenvolvidas no local.

A Estação de Zootecnia do Extremo Sul da Bahia é referência em pesquisas internacionais nas áreas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, estoque de carbono no solo, manejo de pastagens e sustentabilidade na agropecuária. O centro mantém parcerias com universidades brasileiras e instituições dos Estados Unidos e do Canadá.

Com o bloqueio, áreas de pesquisa estão paralisadas, e trabalhos científicos em andamento correm o risco de serem perdidos. Até o momento, o MST não informou previsão para a desocupação do local.

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