
A Justiça de Porto Seguro recebeu a denúncia do Ministério Público da Bahia (MPBA) e afastou seis policiais acusados de envolvimento nas mortes de dois homens durante a Operação Travessia, em maio de 2025, no distrito de Caraíva.
A decisão da 1ª Vara Criminal de Porto Seguro determinou o afastamento cautelar dos agentes e também proibiu qualquer contato com familiares das vítimas e testemunhas.
Entre os afastados estão os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade. Além deles, a medida atingiu os policiais militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota.
Segundo o Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), do MPBA, os seis agentes respondem por dois homicídios qualificados.
A denúncia aponta que uma vítima morreu após ser atingida por vários disparos em uma área pública. Já a outra teria sido abordada pelos policiais, revistada e baleada em seguida.
Além disso, laudos periciais citados pelo Ministério Público indicaram sinais de agressões físicas antes dos disparos.
Os agentes faziam parte de uma equipe formada por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), que participou da Operação Travessia.
Além dos homicídios, o MPBA denunciou os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade por fraude processual.
De acordo com a acusação, os dois teriam realizado ações para modificar a cena dos crimes e dificultar a investigação sobre a dinâmica das mortes.
No entanto, o possível envolvimento de policiais militares nesse crime será analisado pela Vara de Auditoria Militar, que possui competência para avaliar casos relacionados à Justiça Militar.
A operação chamou atenção após a morte do guia de turismo Vitor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, conhecido como Vitinho.
Familiares e moradores de Caraíva afirmam que ele não tinha ligação com atividades criminosas e que teria sido confundido durante a ação policial.
Por outro lado, a Polícia Civil afirma que a operação teve como alvo integrantes de uma organização criminosa.
A outra vítima foi Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como Alongado. Segundo a polícia, ele era apontado como líder da facção Anjos da Morte, investigada por atuar no tráfico de drogas em Caraíva.