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Ex-deputado federal Uldurico Júnior. (Foto: Câmara dos Deputados)

O ex-deputado federal Uldurico Júnior foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (14), durante a Operação Colligatio, que investiga suspeitas de corrupção eleitoral, organização criminosa e outros crimes no extremo sul da Bahia.


Ao todo, três mandados foram cumpridos nas cidades de Teixeira de Freitas e Salvador. A operação foi deflagrada com base em informações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e da Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia.

Segundo as investigações, o político — que disputou a Prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024 — é suspeito de ter articulado uma aliança com lideranças de facções criminosas custodiadas em presídios do estado. O objetivo seria obter vantagem eleitoral durante o pleito.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de contato com integrantes de grupos como a chamada “Facção Gueto”, ligada ao presídio de Teixeira de Freitas, e o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), vinculado ao presídio de Eunápolis. Esses contatos teriam ocorrido mesmo com os líderes criminosos detidos.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam celulares, computadores, mídias de armazenamento e anotações físicas e digitais. O objetivo é reunir provas que possam confirmar ou descartar a participação dos investigados no suposto esquema criminoso.

Caso as suspeitas sejam comprovadas, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, entre outros que possam surgir no decorrer das investigações.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas diligências poderão ser realizadas conforme o avanço do caso.

Denúncia do Ministério Público

De acordo com o Ministério Público da Bahia, Uldurico Júnior teria participado de encontros com integrantes de facções criminosas dentro do Conjunto Penal de Eunápolis, com intermediação da então diretora da unidade, Joneuma Neres.

Segundo a denúncia, ele seria padrinho político da ex-diretora, que teria facilitado o acesso aos detentos para articular apoio eleitoral por meio de “eleitores cativos”. Em contrapartida, o político daria respaldo para a permanência dela no cargo e cobertura às atividades do grupo criminoso dentro do presídio.

Joneuma Neres foi presa sob acusação de facilitar a fuga de 16 detentos e, após mais de um ano, passou a cumprir prisão domiciliar. A defesa dela nega as acusações.