
A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (13), a Operação Pix Seguro. A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
A operação foi coordenada pela 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Eunápolis). Além disso, a ofensiva contou com apoio da Polícia Militar da Bahia.
As equipes policiais cumpriram mandados simultaneamente na Bahia, Ceará, Pernambuco, Goiás e São Paulo. Ao todo, a Justiça autorizou 11 mandados de busca e apreensão.
Sete mandados foram executados em Eunápolis. Os demais ocorreram nas cidades de Crato (CE), Goiânia (GO), Recife (PE) e São Paulo (SP).
Durante as diligências, os investigadores apreenderam celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos considerados importantes para o avanço das investigações.

Além das forças estaduais, a operação teve apoio estratégico do CIBERLAB, setor ligado à Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Cibernéticos da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI), vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Golpes começavam com SMS falso
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava técnicas avançadas de engenharia social para aplicar os golpes. Inicialmente, os criminosos enviavam mensagens falsas por SMS para as vítimas.
As mensagens alertavam sobre um suposto bloqueio de conta bancária. Em seguida, os links direcionavam os usuários para páginas fraudulentas semelhantes às de instituições financeiras.
Quando as vítimas preenchiam os dados pessoais e bancários, os criminosos conseguiam acesso às contas. Logo depois, o grupo realizava transferências não autorizadas via PIX para contas controladas pela organização.
De acordo com os investigadores, os suspeitos agiam rapidamente para dificultar o rastreamento do dinheiro desviado.
As investigações apontam que a organização mantinha uma estrutura complexa de lavagem de dinheiro. Primeiro, os valores eram fragmentados e distribuídos entre diversas contas de passagem utilizadas por “laranjas”.
Depois, os suspeitos utilizavam familiares e empresas de fachada para reinserir os recursos no patrimônio do grupo com aparência de legalidade.
Segundo a Polícia Civil, parte do dinheiro também financiava a própria infraestrutura criminosa da organização.

Como resultado da investigação, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de R$ 103 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.
A medida busca enfraquecer financeiramente a organização criminosa. Além disso, o bloqueio pode ajudar na reparação dos prejuízos causados às vítimas em diferentes regiões do país.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com a Polícia Civil, as penas previstas para os crimes, somadas em concurso material, podem ultrapassar 20 anos de prisão.