
A BR-101, importante rodovia que corta o extremo sul da Bahia, foi liberada por volta das 16h20 desta terça-feira (08/07), após mais de 30 horas de bloqueio promovido por indígenas do povo Pataxó, na altura do município de Itamaraju. A manifestação causou sérios transtornos no transporte de cargas, passageiros e no funcionamento das rodoviárias da região.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a liberação ocorreu após negociações com os manifestantes. Durante o período de interdição, formaram-se cerca de 15 quilômetros de congestionamento em cada sentido da pista. O protesto foi motivado pela prisão do cacique Saruí, detido na semana passada sob acusação de posse ilegal de armas e munições. Os indígenas alegam que a prisão foi injusta e exigiam sua libertação.
Desde a manhã de segunda-feira (07/07), o tráfego de veículos, incluindo carros de passeio, caminhões e ônibus, estava completamente interrompido. A retenção gerou prejuízos significativos, especialmente para o transporte de cargas perecíveis, além de causar transtornos a motoristas, que enfrentaram calor intenso, falta de banheiros e insegurança na estrada.
As rodoviárias da região também foram duramente afetadas, com terminais superlotados, filas extensas e passageiros sem informações. Crianças, idosos e trabalhadores chegaram a passar a noite nos locais, dormindo no chão diante da falta de estrutura adequada.
Na segunda-feira, a tensão aumentou quando uma empresária de 40 anos teve o caminhão danificado ao tentar atravessar o bloqueio, relatando agressões físicas e psicológicas.
A liberação da BR-101 ameniza, por ora, a situação de crise no trecho sul da Bahia, mas o episódio acende um alerta para os impactos sociais e econômicos de conflitos fundiários ainda sem solução definitiva na região.