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JUSTIÇA

Justiça cobra da Coelba instalação de 1.500 medidores de energia solicitados em 2024 para aldeia Xandó, em Caraíva

Juiz da 1ª Vara Federal de Eunápolis deu 15 dias para Coelba informar andamento do acordo para eletrificação da comunidade Pataxó.
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(Foto: Neoenergia Coelba)

O juiz Pablo Baldivieso, da 1ª Vara Federal de Eunápolis, determinou que a Coelba apresente, em até 15 dias, informações sobre a instalação de 1.500 medidores de energia elétrica na aldeia Xandó, em Caraíva, no litoral sul da Bahia.


A decisão busca verificar o cumprimento de um acordo homologado pela Justiça em novembro de 2024. Segundo o magistrado, os medidores devem atender exclusivamente indígenas da comunidade Pataxó.

Além da concessionária, o juiz também pediu informações à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e ao Ministério dos Povos Indígenas.

O magistrado solicitou que os órgãos federais apresentem um cronograma de visitas técnicas à aldeia. Além disso, devem informar o andamento do levantamento necessário para a instalação dos equipamentos.

De acordo com o juiz, essas medidas ajudam a garantir o acesso da comunidade a serviços básicos. O objetivo, segundo ele, é promover condições dignas de desenvolvimento para os moradores da aldeia.

Nos últimos anos, a aldeia Xandó registrou forte expansão imobiliária. Atualmente, pousadas e empreendimentos turísticos ocupam parte da área.

Muitos desses negócios pertencem a não indígenas que arrendaram lotes no território. Esse cenário aumentou o debate sobre o acesso à energia elétrica na região.

Dados da Funai indicavam que, em junho de 2022, viviam na aldeia 415 indígenas e 404 não indígenas. Desde então, o crescimento da área pode ter ampliado esses números.

A associação indígena Acopax afirma que a instalação dos medidores beneficiará toda a comunidade local.

Segundo a entidade, a energia elétrica é essencial para o funcionamento da escola indígena e do posto de saúde. Além disso, o serviço aumenta a segurança de crianças, idosos e pessoas vulneráveis.

A associação também afirma que a eletrificação ajudaria moradores, trabalhadores, comerciantes e visitantes que circulam na aldeia.

Posicionamento dos órgãos

A Coelba informou que tem interesse em regularizar a situação da comunidade. No entanto, a empresa afirma que ainda aguarda autorizações de órgãos ambientais e de proteção aos povos indígenas para iniciar o serviço.

A Funai declarou que o acesso a serviços básicos em terras indígenas deve atender exclusivamente indígenas. Mesmo assim, a fundação afirmou que não executa a política de distribuição de energia.

Já o Ministério dos Povos Indígenas informou que ainda não recebeu notificação oficial da decisão judicial.

O caso também envolve discussões sobre arrendamentos na área. A legislação brasileira proíbe esse tipo de prática em terras indígenas.

O Estatuto do Índio, de 1973, já estabelece essa proibição. Além disso, a Lei 14.701/2023 reforça a regra.

Por outro lado, a legislação permite cooperação econômica com não indígenas. Porém, os contratos precisam beneficiar a comunidade e devem ser registrados na Funai.

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