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A BR-101, principal rodovia que corta o extremo sul da Bahia, continua completamente interditada por indígenas do povo Pataxó, na altura do município de Itamaraju. O bloqueio já dura mais de 24 horas e tem causado impactos severos no transporte de cargas, de passageiros e no funcionamento das rodoviárias da região. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ainda não há previsão para a liberação da via, embora as negociações com os manifestantes estejam em andamento.


A manifestação foi motivada pela prisão do cacique Saruí, ocorrida na última semana sob a acusação de posse ilegal de armas e munições. A detenção ocorreu durante um conflito de terras envolvendo indígenas e fazendeiros locais. Os manifestantes alegam que a ação policial foi injusta e exigem a libertação imediata do líder.

Desde a manhã de segunda-feira (07/06), o tráfego está completamente interrompido, afetando carros de passeio, caminhões e ônibus. Caminhoneiros relatam prejuízos com cargas perecíveis e enfrentam condições difíceis na estrada, como calor intenso, falta de banheiros e insegurança.

A situação nas rodoviárias da região também é crítica. Passageiros relatam superlotação, longas filas e ausência de informações sobre os embarques. Muitos, inclusive crianças e idosos, passaram a noite nos terminais sem estrutura adequada.

Apesar da gravidade do bloqueio, até o momento não houve um posicionamento oficial das autoridades estaduais ou federais sobre medidas concretas para resolver o impasse. Os indígenas, que permanecem com mulheres e crianças no local, afirmam que só deixarão a pista após a libertação do cacique.

Na segunda-feira, o clima de tensão aumentou quando uma empresária de 40 anos teve o caminhão danificado ao tentar atravessar o bloqueio. Ela relatou ter sofrido agressões físicas e psicológicas por parte dos manifestantes.

A continuidade da interdição acende um alerta para os prejuízos econômicos e sociais provocados pelo impasse, enquanto a região aguarda uma solução definitiva por parte das autoridades competentes.