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MEIO AMBIENTE

Dia Nacional das RPPNs: reserva da Costa do Descobrimento se destaca na proteção da Mata Atlântica

Maior área privada preservada do Nordeste reúne biodiversidade, ciência, educação ambiental e proteção de nascentes no Sul da Bahia
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Em um cenário em que menos de 30% da cobertura original da Mata Atlântica permanece em pé no Brasil, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) ganham protagonismo na conservação ambiental. Celebrado em 31 de janeiro, o Dia Nacional das RPPNs chama atenção para áreas protegidas por iniciativa privada que cumprem papel estratégico na preservação da biodiversidade e dos recursos naturais. No Sul da Bahia, uma das reservas mais conhecidas da Costa do Descobrimento se tornou referência nacional em conservação, pesquisa científica e educação ambiental.


Criada em 1998, a RPPN Estação Veracel protege mais de 6 mil hectares contínuos de Mata Atlântica nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Considerada a maior RPPN de Mata Atlântica do Nordeste, a área é reconhecida como Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO e integra o Mosaico de Áreas Protegidas do Extremo Sul da Bahia, uma das regiões prioritárias para a conservação do bioma no país.

Vista aérea da RPPN Estação Veracel, no Sul da Bahia, uma das maiores áreas privadas de Mata Atlântica preservada do Nordeste, referência em conservação ambiental e proteção de nascentes. (Foto: Divulgação)

Ao longo dos anos, monitoramentos ambientais identificaram quase 300 espécies de aves e mamíferos, incluindo animais raros e ameaçados de extinção. Entre eles estão o crejoá, ave símbolo da reserva, a harpia — uma das maiores aves de rapina do mundo — e grandes predadores como a onça-pintada e a sussuarana, considerados indicadores da qualidade ambiental da floresta.

O retorno do registro da onça-pintada após mais de duas décadas sem evidências da espécie no Sul da Bahia representou um marco para a conservação regional. Já os estudos contínuos com harpias transformaram a área em um dos principais centros de pesquisa da espécie na Mata Atlântica, com monitoramento de ninhos e uso de tecnologia de rastreamento por satélite.

Na flora, a diversidade também impressiona. São mais de 290 espécies vegetais catalogadas, colocando a reserva entre as áreas com maior variedade de árvores do mundo, segundo levantamentos científicos, o que reforça sua relevância global para a proteção da Mata Atlântica.

Além da biodiversidade, a área preserva 115 nascentes e cursos d’água que abastecem comunidades e cidades da região, incluindo parte do sistema hídrico de Porto Seguro. A floresta contribui ainda para a regulação do clima, proteção do solo, manutenção de polinizadores e qualidade da água, serviços ambientais essenciais para a população e para a economia local.

A reserva também se consolidou como um grande laboratório natural a céu aberto. Mais de 230 pesquisas científicas já foram realizadas no local, envolvendo universidades brasileiras e estrangeiras. Estudos recentes com DNA ambiental ampliaram o conhecimento sobre a fauna, revelando novas espécies e orientando estratégias de manejo e criação de corredores ecológicos que conectam áreas preservadas do Extremo Sul da Bahia.

Macaco-prego-de-crista (Sapajus robustus), espécie ameaçada de extinção, registrado na RPPN Estação Veracel, no Sul da Bahia, onde áreas protegidas garantem abrigo à fauna da Mata Atlântica. (Foto: Veracel)

No campo social, milhares de pessoas participam todos os anos de ações de educação ambiental, turismo sustentável e observação de aves. Projetos de ciência cidadã estimulam o envolvimento da comunidade na proteção da fauna e no registro da biodiversidade.

O modelo das RPPNs demonstra como a iniciativa privada pode contribuir de forma concreta para a conservação ambiental, integrando proteção territorial, ciência e educação. Em um dos biomas mais ameaçados do país, áreas como essa se tornam fundamentais para garantir a sobrevivência da Mata Atlântica e avançar nas metas globais de preservação.

No Dia Nacional das RPPNs, a experiência da Costa do Descobrimento reforça que reservas privadas são parte decisiva da resposta aos desafios ambientais do presente — e da construção de um futuro mais equilibrado entre natureza e sociedade.

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